segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ESPETÁCULO HISTÓRIAS DE LENÇOS E VENTOS CHEGOU A LAGOA DO CARRO

                  “Azulzinha: ― Ai, eu queria tanto voar! Vermelhinha: ― E eu queria voar alto, com as nuvens! Amarelinha: ― E eu queria rodar com todos os rodamoinhos! Floreado: ― E eu queria me agitar como uma grande floresta em tempestade! Listrado: ― E eu como uma tempestade numa grande floresta! Transparente: ― E eu queria passar pelo céu como um cometa.”
Com essa intensidade poética do texto  os atores Gléicio Cabral e Charlon de Oliveira Cabral dividem o palco sob os cuidados da direção de Márcia Cabral, natural de Minas Gerais, que também atua no espetáculo para crianças – Histórias de Lenços e Ventos.
A montagem teatral pertencente ao Centro de Criação Galpão das Artes já percorreu cidades além de Limoeiro, como João Alfredo, Olinda, São Lourenço da Mata, Paulista, Surubim e chegando até em Minas Gerais no mês de julho do ano passado no Festival de Teatro da cidade de  Conselheiro Lafayete.
O autor do texto Ilo Krugli é um daqueles seres singularíssimos que, vez ou outra, surgem  neste planeta. Parceiro de Paulo Freire, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Nize da Silveira, sempre acreditou em uma educação de qualidade, por meio da arte. Pioneiro no conceito de arte-educação, o argentino naturalizado brasileiro desde 1961, fundou, em 1974, o grupo de teatro Ventoforte. Nesse mesmo ano, escreveu com maestria Histórias de lenços e ventos, peça de tom poético e singelo, feita para encenar com materiais simples, como cordas, lenços, jornais e papelão, entre outros. Por meio do diálogo e das canções que permeiam o texto, o leitor é arremessado a um mundo imaginário, em que a liberdade, a espontaneidade e a sensibilidade afloram a cada cena. Ao final do livro, há explicações sobre os elementos teatrais e também ali estão as partituras das canções entoadas no espetáculo. Histórias de lenços e ventos ganhou diversas premiações, ao longo dos anos e a cada montagem, até mesmo o Molière, Mambembe e APCA.
A história acontece assim, Azulzinha, lenço azul num quintal, se deixa levar pelo vento e será presa por soldados… O personagem “papel” vai procurá-la. Não consegue entrar no castelo medieval e então é queimado. Todos os lenços que esvoaçam pelos quintais são presos. Atores e público recriam o Papel com um coração de metal. Ele luta. Liberta azulzinha e os outros 300 lenços que estão em cena. Eles juntos formam um dragão. Que sai voando.
                Na agenda de 2017 o espetáculo esteve nesta semana em Lagoa do Carro, dia 25 de janeiro, quarta-feira, a convite do SESC Pernambuco, na programação da festa da padroeira Nossa Senhora da Soledade e apoio da Prefeitura local.

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